Sobre o Marketing Multinível…

O que está acontecendo nesse momento no MMN…

Talvez um empreendedor novo, recém chegado a essa Indústria, ainda não tenha olhos para alcançar todos os detalhes por detrás do fabuloso plano de marketing e produtos da empresa que representa, especialmente quando estão inebriados pelas possibilidades de ganhos. Há porém, entre o kit de cadastro e o sucesso, muito mais coisas do que pode nossa vã filosofia imaginar.

Sistemas de treinamentos, CDs, livros, eventos, prospectos e até ferramentas de auto-responder são comercializados indiscriminadamente em eventos das empresas de MMN desde sempre, pelos próprios distribuidores, às vezes no palco, sempre com a bonita intenção de acelerar os negócios. Contudo, muitos deles servem apenas para maquiar uma fonte de ganhos que, em alguns casos, é maior que a do própria renda obtida dentro do plano de marketing.

Esse comportamento, tem demonstrado ser de grande risco para as empresas. Quando o distribuidor não ganha dinheiro com o negócio mas ganha dinheiro comercializando artigos ou eventos cria-se um conflito de interesses, naturalmente o distribuidor passa a promover e dedicar mais atenção ao sistema do que a empresa, em casos mais sérios, forma-se um novo marketing de rede dentro do próprio marketing. Um verdadeiro esquema ilícito disfarçado de ferramenta de negócio, sugando a vitalidade da empresa.

A Amway foi uma das primeiras a aprender essa lição, sua atrapalhada e omissa postura diante desses esquemas, levaram à falência milhares de distribuidores sem que e a maioria nunca percebesse que estava trabalhando para um desses sistemas e não para a Amway. Claro que depois de toda a bagunça, os negócios da empresa despencaram e nunca mais foram o mesmo no Brasil. Já os “líderes” infelizmente continuam no mercado em outras empresas, vendendo os mesmos sistemas, um pouco melhor empacotados em alguns casos; noutros, nem tanto.

A Herbalife também segue na mesma direção, depois de mais de 10 anos fingindo que não via esses esquemas, a empresa começou sua política de higienização. Com certeza efeito colateral das acusações feitas por Bill Ackman, que se baseou nesses esquemas para fundamentar que a Herbalife é uma pirâmide financeira. A limpeza começou em abril desse ano, quando a Herbalife enviou uma normativa em que proíbe seus distribuidores de comprar e vender prospectos e sistemas de “pacote decisão”. (No Brasil o comunicado chegou apenas na semana passada).

E por que a Herbalife tomou essa medida? Porque nos EUA uma das formas de recrutar é através de anúncios feitos em mídias de massa como as rádios nacionais, onde os ouvintes são direcionados para um site, fazem a compra de um pacote de decisão de aproximadamente 10 dólares com informação genérica, que não fala nada sobre a Herbalife, até que o prospecto ligue e agende uma conversa com um “Mentor de negócios”. Após a conversa a pessoa descobre que é Herbalife, e caso não queira fazer o negócio ela ainda precisará devolver o pacote decisão ou será descontado do seu cartão mais 40 dólares. Detalhe, o conteúdo do pacote? Um livreto sem-vergonha de 20 páginas falando sobre internet business e um dvd com depoimentos, sem falar do que se trata.

Claro que esses anúncios não são feitos pela Herbalife, e sim por distribuidores nos mais altos níveis da empresa que têm dinheiro para investir nessas caríssimas mídias e que lucram fortunas vendendo esses “prospectos” para suas enormes organizações. Entre os donos desses sistemas estão membros da equipe de Presidentes e Chairman’s Club. Um negócio milionário, mas que vem detonando a imagem da Herbalife nos EUA, e liderou uma enxurrada de reclamações e processos por propaganda enganosa. Desde a mudança nas normas, alguns Presidentes saíram da Herbalife. Entre os Chairman’s até agora, deixaram a empresa Shawn Dahl e a esposa que foram para a concorrente Vemma; Doran Andry, também sumiu das publicações online da Herbalife, mas não há nada oficial sobre sua saída, embora o site do seu sistema continue sendo anunciado e os prospectos agora são direcionados para a oportunidade da Vemma.

No Brasil, a Polishop, novata no MMN, tem os negócios de muitos de seus distribuidores monopolizados por um destes sistemas, mas parece já ter acordado para os riscos e não faz mais qualquer referência a ele em seu site oficial. A empresa recentemente passou pela saia justa, de ver o mesmo sistema numa estrutura melhorada sendo utilizado com outro nome e gratuitamente, por alguns de seus ex-líderes na BBOM.

Qualquer sistema que tenha como intuito promover o negócio e não a si próprio não carece de pagamentos para ser mantido. Salas virtuais custam pouco mais que R$100, sites personalizados têm custos ínfimos para serem replicados e não necessariamente precisam de sistemas de auto-responder pagos, há excelentes opções gratuitas ou de baixo custo que qualquer líder pagaria de bom grado do seu próprio bolso para treinar sua equipe, fazer apresentações de negócio e proporcionar o crescimento do negócio pelo negócio e não pelo sistema. Mesmo quanto a geração de prospectos, ela nunca deveria ficar na mão de outro distribuidor, por que outra razão alguém geraria prospecto para você não fosse por lucro? O tempo, o investimento e os riscos de se gerar prospectos são elevados demais para se fazer isso de graça, mesmo sendo para o próprio grupo.

Sob o argumento de que os distribuidores são independentes, há quem defenda que são livres para conduzir seus negócios dentro de seus interesses. O que não deixa de ser um ponto a ser considerado. Porém, teriam eles construído seus sistemas se não houvesse uma empresa por trás, séria, pagando impostos, desenvolvendo produtos de qualidade, aprimorando plano de marketing, investindo em pesquisa e em publicidade…? Até que ponto pode um distribuidor ser livre para usar o nome da empresa que representa e sua posição nela, para vender seu próprio sistema ou pior, simplesmente partir para outra empresa quando as normas mudarem?

MMN é um negócio excelente, como sabemos, mas há ainda muita sujeira grossa para se tirar debaixo dos tapetes e resquícios de um tempo onde era cada um por si a fazer os negócios de qualquer jeito e nada aconteceria. Felizmente o futuro é promissor. As empresas líderes estão dando exemplo, fazendo a lição de casa e sacudindo suas próprias árvores, o que é bom, e quando isso acontece de dentro para fora é ainda melhor, pois não são os macaquinhos que caem e sim os gorilas, que não têm nada para fazer lá em cima. Um alívio para as árvores. Mas isso é só começo, ainda vai ficar muito bom esse negócio.

por Diego Lourenço

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